07/11/2006 15:15

Reforma ministerial deixa partidos irrequietos

O PT considera que o PMDB deve mensurar o seu apoio ao governo. As divisões peemedebistas se movimentam com discrição. O PP quer uma representação proporcional ao seu tamanho, o PSB julga que merece mais e o Palácio informa que está mantida a tendência de anúncio do novo ministério em dezembro.

Os partidos ainda não acusam o recebimento de convite para conversar com o presidente Lula sobre a recomposição ministerial. Pelo que se tira das informações do Palácio do Planalto, o presidente ainda vai dar preferência a audiências com os governadores eleitos e ao balanço do andamento dos projetos de infra-estrutura.

Lula não convive bem com vazamento de informações e com especulações, como deixou claro no início da semana passada, ao afirmar que o ministro da Fazenda atende por Guido Mantega. Na véspera do último feriado, o prefeito de Belo Horizonte (MG), Fernando Pimentel, declarou que Mantega fica no cargo, com base no que lhe teria dito o presidente da República.

Cobertor curto – Na área política os sinais são menos claros, embora haja a certeza de que Lula vai governar com todos os que o apoiaram. A inquietação se dá em função do espaço que cada partido vai ocupar no Executivo, considerando-se que a expansão de um representa necessariamente a retração de outro. Apesar do grande número de pastas, as que de fato contam politicamente não dão para cobrir todos os anseios partidários.

É assim que o PT vê a tendência expansionista do PMDB e é por isso que provoca, exigindo deste partido a manifestação efetiva de que vai apoiar o governo Lula. Vai apoiar, e de forma consistente, pelo menos até o calendário colocar na ordem do dia as próximas eleições municipais, em 2008.

O PMDB não exibe as costuras políticas que vem fazendo, embora lideranças deixem claro que não aceitam a interlocução do presidente nacional, deputado Michel Temer (SP), junto ao governo. Temer é um independente que apoiou publicamente Geraldo Alckmin nas eleições presidenciais. O máximo que pode obter é a garantia de que vai poder cumprir integralmente o mandato de presidente da legenda, que termina em março do ano que vem. Deve ser sucedido pelo deputado Jader Barbalho (PA).

Apesar de abrigar fortes disputas por espaço interno, o PMDB, segundo fontes do partido, prevê um período de calmaria no relacionamento com o governo, confiando em que a agenda a ser apresentada pelo presidente não deve gerar conflitos, devendo ser baseada na busca de consensos.

O PP, que este ano elegeu senador (Francisco Dornelles – RJ) e governador (Alcides Rodrigues – GO), quer um tratamento à altura da sua fidelidade. Com 42 deputados eleitos, contra 89 do PMDB, o PP defende que lhe caiba basicamente a metade do que couber ao maior partido da Câmara e, inicialmente, não se mostra disposto a aceitar a inclusão de personalidades em sua cota.

O PSB, como se sabe, quer um ministério politicamente forte, além do da Ciência e Tecnologia, que hoje ocupa. O PL prometeu apoio incondicional a Lula, mas não deve aceitar passivamente o despejo da Esplanada dos Ministérios, onde gere os Transportes. E tem ainda o PCdoB, a quem coube o ministério do Esporte em 2003.

Há quem diga em Brasília que o presidente já tem pronto o desenho do novo ministério. Pelo sim, pelo não, ele deve apresentar aos partidos aliados um esboço bem consolidado, para fazer frente à grande diversidade de interesses. (Carlos Lopes, analista político)


enviada por Etevaldo Dias






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