06/11/2006 16:22
PFL força antecipação do debate sucessório
As eleições no Congresso são em fevereiro, mas já ocupam as lideranças dos principais partidos. A reivindicação do PFL pelo direito à Presidência do Senado e dos deputados peemedebistas a ocupar a cadeira mais alta da Câmara dão um peso maior à discussão antecipada do tema. O momento é de definição de critérios.
Quem descreve assim a atual etapa é o líder do PT na Câmara, Henrique Fontana (RS), para quem ainda não é o momento de fulanizar a discussão. Ele avalia que o seu partido, embora não seja maioria nem na Câmara nem no Senado, vai ser um protagonista muito forte na decisão sobre a Presidência das duas Casas.
Fontana considera que o PMDB não deve pleitear as duas presidências, observando que melhor seria os peemedebistas manterem o Senado, deixando a Câmara para o PT ou outro partido da base. O líder petista esclarece que o debate não foi aberto dentro da sua bancada, acrescentando estar aberto a sugestões.
O PFL precipitou o debate, não só ao reivindicar a Presidência do Senado como ao advogar pelo direito do PMDB de presidir a Câmara. O líder na Câmara, Rodrigo Maia (RJ), informa que a participação do partido na eleição vai ter sempre em perspectiva as duas Casas. Obviamente, fala mais alto o interesse em presidir o Senado, que se alia à tradição de as duas presidências não serem entregues a um mesmo partido.
A atitude pefelista é vista no Congresso como a dos que têm uma única alternativa. Derrotado nas eleições presidenciais e tendo tido um mau desempenho nas eleições estaduais, restaria ao PFL presidir o Senado. O tamanho da bancada tem aí importância relativa, até porque o partido, que ora mede forças com o PMDB, deve perder os senadores pelo Maranhão, Roseana Sarney e Edison Lobão, justamente para o concorrente direto. O PMDB ainda pode se beneficiar com a realocação de um ou outro senador eleito por partido atingido pela cláusula de barreira.
Contaria, de fato, a maior capacidade de abrir o leque de votos. Nesse quesito, a linha francamente oposicionista adotada pelos pefelistas não ajuda. Ou alguém pode imaginar a ultragovernista Ideli Salvati (PT-SC) votando em José Agripino (PFL-RN)?
Indefinição na Câmara Como pau que dá em Chico também dá em Francisco, o projeto de reeleição de Aldo Rebelo (PCdoB), na Câmara, pode ser comprometido pelas mesmas razões. Rebelo teve lugar cativo nos palanques de Lula e não deve contar com os votos da oposição para se manter no posto. Pode-se argumentar que Aldo Rebelo também não teve apoio da oposição em 2005, mas naquela ocasião, após a queda de Severino Cavalcanti, o atual presidente representava a única alternativa do governo para uma situação emergencial.
Rebelo conta com o apoio preliminar do presidente da República, que não é de trocar o certo pelo duvidoso, mas tem contra si o fato de o PCdoB não ter superado os 5% de votos nacionais para a Câmara (cláusula de barreira). Para o próximo ano, em uma eleição ordinária, devem surgir nomes alternativos. Por enquanto, vale repetir, o que está em jogo é a definição de critérios. (Carlos Lopes - Analista Político)
enviada por Etevaldo Dias
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